Esgares trata dos movimentos do corpo e dos gestos cômicos da nossa vida cotidiana, explorando os aspectos ou as expressões que o rosto assume em determinadas situações, sejam intencionais ou involuntárias. O trabalho se desenvolve em sequências de movimentos em forma de trejeitos fisionômicos, mesclando os limites da dança, teatro e poesia, formando um híbrido na arte, que reflete a miscigenação da cultura brasileira. A trilha sonora, com canções de Edith Piaf, imprime um tom emocional intenso à obra, que transita pelo universo lúdico e brincalhão das conversas mudas, porém expressivas, dos bailarinos.
Provocativa e original, mantém o rigor técnico tradicional, sem, no entanto, deixá-la vazia de conteúdo, de razão de ser, de um dizer próprio, que só se expressa pela linguagem da dança. Além de explorar dança, teatro e poesia, seus universos artísticos prediletos, Roberto introduz neste trabalho a linguagem do Clown, aproximando ainda mais o público do espetáculo. Afinal, o Clown não é aquele que nos revela o que há de mais secreto, ingênuo, atrapalhado, lírico e humano em todos nós, e por essa razão nos comove e nos faz rir?







