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Este trabalho coreográfico se justifica não apenas como uma homenagem ao centenário de nascimento de um dos maiores compositores do século XX, mas também pelo amadurecimento artístico da Sopro Cia de Dança, que tem pautado seus projetos na investigação, pesquisa e elaboração de obras que possibilitem a criação de um canal de entendimento entre o público, a música e a dança.

Quarteto para o Fim dos Tempos é uma homenagem ao centenário do compositor Olivier Messiaen, que criou esta composição enquanto prisioneiro em um campo de concentração. A peça foi composta, ensaiada e apresentada dentro do próprio campo. Apesar da trágica situação, para Messiaen foi um período fértil, como se estivesse no jardim de sua casa, em plena fertilidade, vivacidade e paz. Encorajador e divino. Uma anunciação da alegria e da participação do homem na experiência da eternidade.

A primeira vez que tive contato com a obra de Messiaen, fui imediatamente desafiado a criar uma imagem para esta música, Quarteto para o Fim dos Tempos. A forma como ele compôs essa obra é, em si, dança pura. Além do fascínio pela situação em que ele e a humanidade se encontravam durante o doloroso e desumano período da Segunda Guerra Mundial, no campo de concentração, Messiaen ainda encontrava fertilidade, como se estivesse no jardim de sua casa, apreciando o canto dos pássaros, pelos quais ele tinha profunda admiração e conhecimento.

Fertilidade, vivacidade e paz. Encorajador e divino. Uma anunciação da alegria e a participação do homem na experiência da eternidade.
— Roberto Amorim

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